O Prenúncio das Águas"Antes do Grande Cataclismo, o mar era coisa de gente que não tinha o que fazer — uma lenda de marinheiro bêbado, contada perto do fogo. Não precisávamos de naus, remos ou velas. A terra nos dava tudo: florestas que cobriam o continente de ponta a ponta, cortadas só por rios de água limpa e campinas onde a caça nunca faltava. Pouca gente se dava ao trabalho de aprender os segredos do mar — pra quê, se a terra bastava?
Mas fartura cria soberba. Duas forças brigavam pelo domínio do mundo: altivos guerreiros que não perdiam batalha, e poderosos magos que achavam que tinham as rédeas do próprio tecido da realidade. Os Deuses cansaram dessa arrogância. Não sei dizer se foi num só dia ou se levou anos — as histórias divergem nisso —, mas a terra tremeu, e o mar entrou onde antes só existia chão. Foram-se as florestas, as cidadelas, os nomes de quem morava nelas. Ficou só a água."
— Klar Umur, capitão do Uclur
Salve, viajante de terras distantes.
Se o que te move é o desconhecido — a glória, a riqueza, o risco de morrer tentando — então achou o lugar certo. Ilhas Independentes é a porta de entrada para uma das regiões mais esquecidas e mais perigosas de Tagmar. Nas páginas seguintes vamos falar da história que quase ninguém lembra, da geografia que engana até marinheiro experiente, e dos segredos que esse mar guarda — o mesmo mar que a maior parte do continente prefere fingir que não existe.
Este arquipélago fica além de qualquer mapa confiável. E aqui a espada sozinha não resolve muita coisa. Tempestade que parece ter vontade própria, criatura que ninguém sabe nomear, correnteza que muda de humor de uma hora para outra — para sobreviver a isso, você vai precisar de mais que aço. Vai precisar de fé. Não importa muito em qual Deus, contanto que seja uma fé que aguente a noite inteira de tormenta.
As Ilhas independentes ficam numa das partes mais hostis do mundo. Marés que viram barco, recifes que não aparecem no mapa até ser tarde demais, tempestades que os próprios pescadores locais tratam como se fossem bichos vivos. E debaixo dessa névoa toda, heranças corrompidas daquela magia que outrora desafiou os Deuses, além de criaturas e segredos ancestrais que deveriam ter permanecido sepultados no fundo do oceano. Aqui, civilização e barbárie não é força de expressão: é o que acontece a cada virada de maré, entre povos e facções que brigam todo dia só para continuar existindo.
Arruma a bússola, afia a arma, e não esquece dos teus deuses. O mar tá chamando — e ele não costuma pedir licença.
Verbetes que fazem referência
Ilhas Independentes
Verbetes relacionados
Companhias Mercenárias |
Piratas |
Guildas Comerciais |
Introdução |
História |
Geografia |
História Recente |
Religião |
Nível de Tecnologia |
Objetos mágicos |
Mapa |
Locais Estranhos |
Cronologia |
Raças